O grupo de pesquisa “José Saramago”, leitor de Karl Marx – vinculado ao CNPq e ao Programa de Pós-Graduação em Letras pela PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, BR –, tem como objeto de estudo a obra do autor português José Saramago, investigando duas modalidades de sua produção – a literária e a não literária – , em consonância com sua formação como leitor de Karl Marx.
A primeira delas, a propriamente literária, registra estratégias estéticas que vão alinhavando e diferenciando um percurso intitulado pelo escritor como “Da estátua à pedra”. Esse título-metáfora encaminha os estudos para a análise de alterações de forma e conteúdo existentes nos seus títulos, projetadas na voz de uma autoria envolvida com a figuração do narrador, em sua representação e atuação de engajamento político e estético. Trata-se de investigar as operações que se dão no exercício de um estilo acoplado à ideologia, o que, dando-se em uma linha do tempo, se divide em duas etapas: a da estátua, quando é construído aquilo que o autor denomina edifício, o corpo externo que compõe a obra, especialmente explorada a oralidade e a distorção da História; a da pedra, quando se dá a ida ao profundo do edifício, até o subterrâneo da alma humana.
Esses estudos são norteados pela leitura da obra de Karl Marx, considerando-se que Saramago percorre um caminho de construção estética análogo ao proposto pelo cientista revolucionário no que se refere à sua concepção teórico-metodológica, que concebe o método de pesquisa como o que propicia o conhecimento teórico, partindo da aparência, visando alcançar a essência do objeto.
Assim, o autor constrói uma forma – estética – pela qual ilumina as entranhas da sociedade, seu objeto de análise e interpretação, e convida o leitor a acompanhar o método de construção da obra, o percurso que a compõe: um processo da aparência à essência. Impele-o a tomar a sociedade como objeto de análise, orientando-se pela arquitetura do conjunto da sua obra, feita à luz do método de pesquisa de Karl Marx, que “propicia o conhecimento teórico, partindo da aparência para a essência” (NETTO, 2011, p.22), mas não em uma linguagem científica. Diferentemente disso, Saramago leva em conta uma linguagem pertinente à arte verbal, usufruindo de um modus operandi de esclarecimento científico ao modus operandi estético.
A outra modalidade da produção saramaguiana, a não literária, é aquela em que, segundo o escritor, trata da vida (sem que se esqueça de que “a literatura está na vida”). São objeto de análise os discursos proferidos em eventos, relatos pessoais e depoimentos, nos quais se manifesta o escritor, figura pública, cidadão português, todos com um ideário que contempla o marxismo.
Estudos sobre a relação entre essas duas modalidades têm permitido reflexões acerca das vozes discursivas que se manifestam e se entrecruzam nas produções estéticas ou não estéticas no acervo saramaguiano, na configuração dos gêneros romance, conto, discurso, autobiografia, etc., e, também, nas releituras de textos do autor português, transladados para condições de produção outras, recompostos para o público infantil, por exemplo.
O grupo tem desenvolvido ao longo dos anos o evento “Jornada Saramago vive!”, quando temas fundamentais da obra do autor são postos em discussão e veiculados por meio de revistas e e-books. Essas Jornadas vêm tomando corpo e internacionalizando-se, do que decorre sua nova configuração, a partir de agosto de 2026, o I Congresso Internacional Saramago vive! – as literaturas de língua portuguesa a contrapelo.
O grupo mantém seus informes e espaço de contato pelo site oficial gruposaramarx.com.br e pelo instagram @gruposaramarx.

